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Política Pública de internacionalização

Política Pública de internacionalização

Tenho participado nas últimas duas semanas de diversas iniciativas de entidades mundiais para o fomento da internacionalização de empresas de base tecnológica. Tanto a WITSA – World Information Technology and Services Alliance, como a ALETI – Federación de Entidades de Tecnologías de la Información de Iberoamérica, vem promovendo debates sobre o tema, com o objetivo de encontrar pontos de convergência e colaboração, e de identificar mecanismos que possam acelerar o desenvolvimento de negócios e parcerias além fronteiras.

O tema da internacionalização tem obtido mais força no cenário pós-pandemia, como forma de criar possibilidades para as empresas construírem mais sustentabilidade e ampliar suas geografias de atuação. Porém, entende-se que o esforço de buscar novos mercados requer apoio institucional através de políticas públicas consistentes, especialmente para as empresas de menor porte, as PMEs, que compreendem o maior número no mercado.

 

Cultura da internacionalização

O apoio institucional precisa primeiramente promover o “aculturamento” quanto à internacionalização e oferecer subsídios, conhecimentos e treinamentos para os empresários reconhecerem a importância estratégica para seus negócios. Apoiadas nessa compreensão cultural, as políticas precisam buscar apoio na orientação a dados, já que estamos vivendo a transformação digital. Existe também o argumento de que já fomos digitalmente transformados, e que agora é apenas uma questão de as empresas ganharem velocidade na adoção dos novos parâmetros e canais estabelecidos pelo mundo digital.

Para criar uma cultura de internacionalização, é necessário que haja uma atitude positiva para mercados internacionais. As instituições públicas precisam trabalhar na influência de atitudes e motivações, fornecendo informações e incentivos. Agências especializadas, parcerias público-privadas e outros mecanismos de apoio criam um contexto de coesão social que pode contribuir positivamente para a construção e manutenção de um foco empreendedor no âmbito internacional.

Uma abordagem que procuramos adotar em nossas jornadas de internacionalização parte da premissa de que a internacionalização não é necessariamente exportação. É, acima de tudo, um fator de competitividade para ajudar na defesa de seu território devido à entrada de empresas estrangeiras, bem como fortalecer a posição doméstica com contratos de maior envergadura. A busca de maior competitividade através de melhores práticas internacionais habilita as empresas e seus executivos a competirem com maior consistência. Isso causa um impacto direto na economia local, ao tornar as empresas mais sólidas e consistentes.

 

Orientação por dados

Estamos vivendo uma nova era, profundamente transformada pela realidade digital. Isso obriga todas as organizações, independentemente de tamanho ou área de atuação, a terem suas decisões e seus posicionamentos sustentados por dados e seus respectivos insights. Não havia, até pouco tempo, padrões ou abordagens que pudessem ter efetividade em todas as circunstâncias. Assim, antes de se estabelecer qualquer política, precisa-se entender como ser efetivo nesse novo contexto digital, o que significa orientar as decisões e ações a partir de dados que traduzem as características das empresas.

Antes que as ações ou políticas apropriadas possam ser desenvolvidas, são necessários dados sobre a população de PME nos respectivos países ou regiões. As PMEs devem ser segmentadas de acordo com o tamanho, o setor e a orientação para o crescimento. É importante abordar as PMEs e ouvi-las quanto aos desafios e oportunidades que enfrentam. É imperativo um canal de comunicação eficaz entre os decisores políticos e as PMEs, pois elas têm necessidades variadas e condições específicas.

 

Incentivos financeiros e assistência

No tocante aos incentivos, as políticas públicas devem focar na oferta de ferramentas específicas, como subsídios para a comercialização e marketing de soluções e serviços, bem como suporte financeiro e securitização. O seguro para o crédito à exportação continua a ser fornecido amplamente, o que é um diferencial competitivo no cenário concorrencial internacional. Outra medida política importante é o apoio a consórcios de exportação e à estruturação de fundos especiais para financiar mercados internacionais, criando mecanismos para favorecer o acesso ao crédito em condições tais que as PMEs consigam ser competitivas internacionalmente.

O apoio ao desenvolvimento de ecossistemas de empreendedorismo e de capital de risco é também importante para a sustentabilidade a longo prazo das PMEs. Hoje, os governantes têm ciência de que o incentivo ao empreendedorismo e à inovação são molas mestras para o desenvolvimento econômico e social. A criação de programas que estimulem a criação de novos empreendimentos e fortaleçam o mindset de inovação são atualmente preponderantes para que se possa vislumbrar um futuro promissor, ativo e inclusivo.

 

Redução das barreiras administrativas e burocráticas

A revista CEOWORLD compilou o Índice de Empreendedorismo e avaliou um total de 100 economias que, em conjunto, respondem por 95% do produto interno bruto global. A classificação geral considerou uma ampla gama de fatores para criar um índice geral dos “melhores países para o empreendedorismo”, incluindo inovação, competitividade, infraestrutura, habilidades de trabalho, acesso ao capital e abertura para novos negócios. O Brasil aparece em 41º lugar, uma posição que não reflete o nível de competência e capacidade do empreendedor brasileiro, mas retrata justamente a falta de incentivos adequados e a existência de barreiras administrativas em excesso.

Os custos e encargos administrativos são uma das principais barreiras para a internacionalização das PMEs. Sempre foi reiterado para os governantes que o excesso de burocracia é um enorme empecilho e desestímulo para que empreendedores busquem novas oportunidades no contexto internacional.

 

Conclusão

Há duas grandes áreas nas quais as políticas podem apoiar a internacionalização de PMEs, abordando as deficiências existentes no mercado:

  1. Criando-se condições de estruturação
    • Educação, treinamento e cultura
    • Orientação a dados para a tomada de decisão e formatação de políticas
    • Incentivo ao empreendedorismo e fortalecimento dos ecossistemas de inovação
  2. Apoiando políticas e iniciativas específicas para as PMEs
    • Reduzindo a carga administrativa das atividades de internacionalização
    • Apoiando instrumentos financeiros apropriados
    • Construindo e fortalecendo parcerias (pontes) com outros ecossistemas de inovação (locais, regionais, internacionais)
    • Facilitando serviços de consultoria de qualidade para novas e pequenas empresas.

 

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