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Como regular a Inteligência Artificial, essa é grande pergunta da década

Como regular a Inteligência Artificial, essa é grande pergunta da década

Finalmente a inteligência artificial (IA) chegou para ficar, após períodos de holofote seguidos por vários “momentos de quietude” nos últimos 60 anos. Hoje, é muito difícil ler, ouvir ou assistir a qualquer veículo de notícias sem aparecer algo sobre a IA. Em particular, novos “modelos de linguagem grande” (LLMs, do inglês Large Language Models) – o tipo que capacita o ChatGPT (chatbot da OpenAI), surpreendeu até mesmo seus criadores devido aos seus inesperados talentos à medida que eram ampliados. Essas habilidades “emergentes” vão desde resolver quebra-cabeças lógicos e escrever códigos de computador até identificar filmes a partir de resumos de tramas escritos com emoji. A IA tem o potencial de resolver grandes problemas, como desenvolver novos medicamentos e projetar novos materiais para ajudar a combater as mudanças climáticas.

Há um ano, o clima no Vale do Silício estava sombrio, com as ações das Big Tech caindo, a bolha da criptomoeda estourada e uma onda de demissões começando a varrer o setor. Desde então, os capitalistas de risco vem despejando dinheiro em startups de IA, investindo mais de US$ 11 bilhões somente em maio desse ano, segundo a empresa de dados PitchBook, um aumento de 86% em relação ao mesmo mês em 2022. O mercado de IA está projetado para atingir $407 bilhões até 2027 com uma taxa de crescimento anual de 37,3% de 2023 a 2030. As organizações continuam encontrando maneiras inovadoras de alavancar a IA para aumentar a produtividade e a eficiência.

Ao mesmo tempo, tenta-se descobrir como regulamentar essas ferramentas poderosas. Como muitas coisas na vida, a chave é encontrar o equilíbrio. A recente aceleração no poder e na visibilidade dos sistemas de IA e a crescente conscientização de suas habilidades e problemas levantaram temores de que a tecnologia estaria avançando tão rapidamente que não poderia ser controlada com segurança. No entanto, preocupações exageradas e enganosas sobre o potencial das ferramentas de IA de causar danos prejudicaram a discussão razoável sobre a tecnologia, gerando um ciclo de “pânico tecnológico”. Muitos acadêmicos e tecnólogos têm falado sobre ameaças existenciais postadas pela IA.

Com relação ao ciclo do “pânico tecnológico” mencionado acima, os medos aumentam, atingem o pico e depois diminuem, à medida que o público se familiariza com a tecnologia e seus benefícios. Na realidade, outras tecnologias “generativas” anteriores no setor criativo, como a imprensa, o fonógrafo e o cinematógrafo, seguiram um curso semelhante. Porém, ao contrário de hoje, era improvável que os formuladores de políticas fizessem muito para regular e restringir essas tecnologias. À medida que o pânico sobre novas inovações de IA (como a IA generativa) entra em seu estágio mais volátil, os formuladores de políticas devem reconhecer o ciclo previsível em que estamos e proceder com cautela em relação a quaisquer esforços regulatórios para não prejudicar a inovação impulsionada pela IA.

O medo de que as máquinas roubem empregos existe há séculos. Até agora a nova tecnologia criou novos empregos para substituir os que destruiu. As máquinas tendem a ser capazes de realizar algumas tarefas, não todas, aumentando a demanda por talentos que podem fazer os trabalhos que as máquinas não podem. Os sistemas de IA existentes também levantam preocupações reais sobre preconceito, privacidade e direitos de propriedade intelectual e, à medida que a tecnologia continua avançando, outros problemas ainda podem se tornar aparentes. O grau de risco existencial representado pela IA é muito debatido, mas todos envolvem uma grande quantidade de suposições. Mesmo os especialistas tendem a exagerar os riscos em suas áreas de foco.

Se a promessa da IA cumprirá seu potencial depende de quão bem as empresas, desenvolvedores de IA, governos e outras partes interessadas gerenciam os riscos percebidos, ao mesmo tempo em que promovem um ambiente regulatório que incentiva a inovação, as melhores práticas, os padrões voluntários e a colaboração internacional. Precisamos estar atentos para não acabar colocando uma “camisa de força” na inovação, seja com o que estamos vivendo com a inteligência artificial, ou com outro advento no futuro próximo, como a computação quântica. A inovação por si só já quer dizer exploração sem fronteiras, pois é desta forma que as descobertas são realizadas.

Vamos continuar acompanhando atentamente!

 

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